Respeite as mães

Hoje lembrei o dia 22 dia abril de 2016, dia em que descobri a nossa gravidez. Hoje lembrei os vômitos na madrugada que me fizeram tremer segurando nas paredes do banheiro para não cair, lembrei não poder dormir de bruço o que já foi minha paixão, lembrei a minha barriga crescendo, meus seios grandes e doloridos, lembrei ainda meu barrigão lindo que eu tanto amei. Lembrei as minhas lutas, lembrei a parte boa e a ruim, as restrições alimentares, as horas de nutricionista, as broncas do ginecologista, a falta de açúcar e um bom copo de bebida alcóolica e coisas mais, lembrei eu sozinha seguindo firme no trabalho mesmo com as dificuldades que surgiram, lembrei eu ao volante e trabalhando até o dia que a bolsa estourou. Lembrei as violências obstétricas, lembrei minhas amigas lindas do grupo de gestante, do pilates, da hidroginástica, da nossa querida fisioterapeuta, lembrei de ir a cachoeira do Evilson em Taquarussu que eu tanto amo com uma barriga de 9 meses, lembrei meus pais me amando ainda mais, lembrei minha irmã que me deu meus primeiros filhos, lembrei meu cunhado chorando ao saber que seria padrinho da nossa Bia, lembrei as contas para pagar, o planejamento, a organização. Lembrei as listas, o sufoco para fazer um chá para tanta gente, a escolha de cada coisa, o nome, as maravilhas. Lembrei que nunca incomodei ninguém porque havia ficado grávida. Sempre agradei a Deus a cada dificuldade, buscando a serenidade em horas que os hormônios parecem nos fazer parir. Lembrei que desde aquele dia 22 de abril eu já era mãe da Beatriz e o quanto Deus vem nos capacitando a cada dia. Lembrei na época da gravidez poucos ligaram para saber como eu estava sentindo, graças a Deus tenho um esposo maravilhoso, pais fraternos e amigos. Bons amigos. Hoje posso dizer que ter filho após os 30 anos, foi uma decisão junto ao meu esposo, pois consigo pagar um plano de saúde, uma pediatra particular já que se torna difícil uma pelo plano, comprar os inúmeros medicamentos e fraldas e lenços umedecidos. Sou grata a minha família, aos meus pais que criaram filhos para serem independentes e não dependentes e sou grata a eles por isso, não me deram o peixe, mas me ensinaram a pescar. E ha poucos meses sendo mãe vejo a falta de respeito das pessoas conosco, depois que temos filhos surgem milhões de pessoas que nem te davam atenção tentando controlar a sua vida e de seu filho, por isso faço um pedido, deixem as mãe serem mães errarem e acertarem assim como você que é mãe errou e acertou na sua época de ser mãe, passando pelas mesmas coisas que estou passando e até mais. Tenho a certeza de que faço o melhor para a minha filha o que está ao meu alcance e que se algo surge e parece não ser o que deveria ser… são coisas da vida do caminho. Filhos não são bonecos, certamente serão felizes, mas também tristes, terão saúde como também adoecerão, não adianta culpar uma mãe ou pai por uma gripe ou uma febre, não vivemos em uma bolha e certamente nosso filhos passarão por sofrimentos. Não queira que os filhos dos outros sejam o que você sonhou para os seus, não sonhem para seus filhos dê a eles o direito de sonhar, de ter voz e ser alguém, tenho muito medo dessas criações em que fazem de tudo para livrar as crianças das dores, uma vez que são com elas o nosso maior aprendizado. Ninguém nunca me livrou de dores e eu já quebrei a cara demais, já adoeci e me tornei forte. Já fiz anos de terapia e ainda tenho muito de mim a descobrir. Agradeço aqui também aos psicólogos que já passaram por minha vida e me ajudaram a organizar meus pensamentos. Não adianta querer fazer por alguém ou ditar algo se faz parte do crescimento pessoal. Tenho lido muito a respeito da maternidade, o quanto as crianças são fortes e inteligentes e quanto um adulto possessivo e controlador pode prejudicar o crescimento desse ser. Não sou dona da minha filha, fui escolhida para junto ao pai dela ensinar, resguardar, apresentar o mundo e é isso o que farei. Tirem seus filhos das bolhas, talvez se pisássemos no chão, comecemos o biscoito que caiu perto do cachorro e tomássemos um bom banho gelado de cachoeira estaríamos sendo seres mais evoluídos. Deixemos os anticorpos agirem.

Por Ana Carolina de ResendeDSC_8547

Autor:

Advogada licenciada, filha, esposa e mãe. Atualmente assessora jurídica, estudante de psicopedagogia e Visão sistêmica. Apaixonada por textos, diálogo, cotidiano, vivências e viagens.

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