Aglomerados de mães…

Por Ana Carolina de Resendemães.jpg

Quando você descobre que está gestante, ou seja, quando se torna uma RN mamãe tudo a sua volta muda e você começa a identificar as outras mamães até pelo cheiro que exalam.

Daí a vizinha é mãe, sua mãe e irmã também, assim como sua cunhada, sogra e primas. Só aí já deu mais de 50 mães. Isso mesmo é a invasão das mamães no seu mundo, ou melhor, é você adentrando ao mundo delas. Percebe que este Mundo esteve todo momento ao seu lado e você não abrangeu. Sim, elas estão por toda parte e não somos sensíveis o suficiente para vê-las.

Ah se eu soubesse que aquela professora que por dias esteve triste ou estressada era mãe. Ou que aquela mais alegre entre elas tinha filhos…

Assim que passamos a identificar cada uma delas, começamos a admira-las e consequentemente ama-las. Gostar do jeito que falam e como falam. Identificar-se com suas expressões.

Vamos aproximando-nos de uma porção delas, fazendo contato e quando observamos tem um “bucado” a nossa volta e o melhor, elas parecem multiplicar-se.

No primeiro contato, tornamos amigas, em outro, super amigas, até percebermos que já são nossas irmãs, talvez gêmeas. Ficamos fisicamente semelhantes. Fala idêntica.

E então, cada uma tem um celular e com ele um danado de um aplicativo onde todas se correspondem seja por voz, escrita ou imagens. Não bastassem os privados elas criam grupos e vão frutificando esses: o grupo das mães da família, o grupo das mães do condomínio, o grupo das mães da escola do filho, o grupo das mães das mães e por aí vai. Sem perceber você vai agradando e gostando dos grupos e tagarelando e por não dormir vai digitando pela madrugada, a cada mamada, a cada troca de fraldas e recebe áudios das de mais mamães e escuta filhos enlouquecidos do outro lado e começa a sentir familiar vendo a importância dessas conversas, que valem a pena e fica com receio de sair do grupo das mães do berçário que seu filho não frequenta mais, pois lá tem tantas dicas e coisas boas que elas comentam.

Elas vão argumentando igualmente a você, vem à troca de experiências e isso fazendo bem a todas, e você descobre que as redes sociais valem muito a pena quando você não tem mais tantos horários disponíveis, quando se está acordada enquanto a maioria das pessoas dormem, quando embala um filho e continua sendo gente e tendo as mesmas necessidades que tinha antes, como por exemplo, dialogar.

Ao conversar você aprende a ouvir, compreende mais o outro e vai além, aprendendo que existem vários outros, cada um de um tipo. E que há muitos na mesma situação que você, outros não e começa a dar valor nessas diferenças e compreende que esta multiplicação de mães nada mais é do que a melhor forma de “criar”.

Autor:

Advogada licenciada, filha, esposa e mãe. Atualmente assessora jurídica, estudante de psicopedagogia e Visão sistêmica. Apaixonada por textos, diálogo, cotidiano, vivências e viagens.

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