nem uma a menos
Por Ana Carolina de Resende
Na gestação da Beatriz escutei muitas “piadinhas” machistas com relação ao fato de estar gerando uma menina como: “coitado do seu esposo vai ter uma filha mulher”, “cuida bem da sua filha que tenho dois filhos homens”, “após, vocês irão tentar um menino?”, “todo homem sonha ser pai de um menino”. O que talvez essas pessoas não se atentassem era o fato de eu e meu esposo estarmos maravilhados por sermos pais e ainda, por sermos pais de uma menina. Por gerar uma menina.
Eu sempre tive exemplos lindos de mulheres como as minhas duas avós Joventina e Elzira, minha amada mãe, minhas dezenas de tias, primas e nada mais nada menos Deus me fez vir ao mundo em uma família onde houvesse uma menina para eu chamar de irmã.
Nunca precisei recorrer aos livros para conhecer grandes mulheres elas sempre estiveram ao meu lado. Registro aqui que não deixo de admirar a literatura e suas admiráveis mulheres.
Não posso falar aqui como é ser mãe de um menino, apesar de ter dois filhos homens, meus sobrinhos, não vou me atrever. Porém, posso falar do ser mãe de menina e ver uma fofura andando pela casa, posso falar que gerar Beatriz acresceu o meu amor pelas mulheres por nossa identidade e pela luta de nossos direitos. Sim fiquei ainda mais feminina, Me fez refletir o que minhas avós, tias e mãe passaram o que ouviram ou até mesmo deixaram de fazer por serem mulheres e tenho a cada dia mais vontade de ensinar a ela o valor de nós mulheres na sociedade.
As mulheres já estão no mercado de trabalho, ocorre que há pouca inserção no meio político, a cada dia cresce o número de feminicídio, o assédio sexual e a cultura do estupro.
A maioria das coisas que eu faço, simples movimentos, percebo os olhares atentos da Bibi para o meu eu e após, ela começa a imitar, tentar fazer igual, aos meus gestos. Encaro com gosto a responsabilidade de instruir a ela muito acerca da vida, dos valores e acabo por vezes aprendendo muito também. Uma criança tem a capacidade de passar a nós o desconhecido. Beatriz esta formando em mim algo bem melhor. Sou grata a minha menina, por isto.
#Apoio aqui a luta pelo respeito ao outro e a valorização de todos! #mais amor, por favor.

Autor:

Advogada licenciada, filha, esposa e mãe. Atualmente assessora jurídica, estudante de psicopedagogia e Visão sistêmica. Apaixonada por textos, diálogo, cotidiano, vivências e viagens.

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